Rossini Macedo transforma dor em reflexão e alcança leitores com obra sobre felicidade e superação (Foto: Divulgação)

Uma história marcada por desafios pessoais e episódios delicados da infância se transformou no ponto de partida para o novo livro de Rossini Macedo. Em entrevista exclusiva ao Vírgula, o humorista — conhecido nacionalmente pelo personagem Tonho dos Couros — compartilha como decidiu transformar vivências íntimas em uma obra voltada à reflexão, à conscientização e ao desenvolvimento humano.

A motivação surgiu a partir do contato direto com jovens durante palestras em escolas públicas. Relatos de crianças que enfrentavam situações semelhantes às vividas por ele despertaram a necessidade de ampliar essa conversa. A autorização da mãe, concedida em 2022, foi essencial para que a história ganhasse forma. O projeto amadureceu ao longo dos anos até se concretizar em 2025, com um impacto que, segundo ele, já ajuda leitores a enxergar a realidade da violência doméstica com mais consciência.

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Humor e poesia aparecem como ferramentas centrais na construção dessa narrativa. Rossini defende que a felicidade é um elemento transformador, capaz de afastar comportamentos agressivos e promover mudanças reais na sociedade. A proposta da obra passa por estimular o treino da mente em busca de uma vida mais leve, utilizando a sensibilidade artística como caminho para abordar temas profundos.

A nova fase marca uma mudança importante em sua trajetória. Reconhecido pelo trabalho no humor, o artista agora expõe também suas próprias cicatrizes emocionais. A superação de traumas, incluindo o perdão ao pai, surge como um dos pilares do livro. A busca pela felicidade pessoal, segundo ele, é condição essencial para conseguir levar alegria ao público. O resultado se reflete no sucesso imediato da obra, que alcançou o статус de best-seller em poucos dias após o lançamento, figurando entre os mais vendidos do Brasil na categoria de felicidade na Amazon.

A experiência acumulada em mais de três mil palestras e apresentações também influencia diretamente o conteúdo do livro. No ambiente corporativo, Rossini identificou uma lacuna importante: a ausência do humor como ferramenta de engajamento. A inclusão desse elemento, segundo ele, potencializa a absorção de conteúdos técnicos e fortalece relações interpessoais. Temas como liderança e produtividade ganham nova perspectiva quando aliados a uma abordagem mais leve e humanizada.

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Reflexões sobre o tempo e o sentido da vida conduzem a mensagem final da obra. A proposta é incentivar o leitor a valorizar cada momento e encontrar leveza mesmo diante das dificuldades. Um cordel de sua autoria encerra o livro e sintetiza essa visão, mostrando que até as experiências mais difíceis podem ser ressignificadas com sensibilidade e criatividade.

Confira a entrevista completa:

  1. Seu novo livro nasce de uma vivência pessoal muito marcante. Como surgiu a decisão de transformar essa história em uma obra de reflexão e conscientização?

A ideia de colocar essa história no livro nasceu depois que eu fiz algumas palestras em escolas públicas e comecei a contar essa história para mostrar a dificuldade que eu tinha de aprendizado e o quanto eu era rebelde na escola quando eu estudava e as crianças me relatavam que também passavam por esse momento nas suas casas. Então eu resolvi pedir autorização à minha mãe para poder contar essa história de forma escrita e a minha mãe me autorizou em 2022 e só agora em 2025 que eu resolvi colocar no livro e graças a Deus tem ajudado muita gente a tomar essa consciência porque infelizmente a violência doméstica ainda sola muitas mulheres no Brasil.

  1. Como o humor e a poesia podem ajudar a abrir diálogo sobre um tema tão delicado?

O humor e a poesia têm o poder de fazer as pessoas mais felizes e eu sempre digo uma frase que o ser feliz é o que te leva além, porque gente feliz não enche o saco de ninguém e quando você está feliz você não vai cometer crime, quando você está feliz você não vai agredir ninguém, então a ideia desse livro é que as pessoas sejam mais felizes, procurem treinar mais sua mente em busca da felicidade.

  1. Conhecido nacionalmente pelo personagem Tonho dos Couros, você agora apresenta um trabalho mais ligado à reflexão e ao desenvolvimento humano. O que essa nova fase representa na sua trajetória?

Eu, através do livro, gostaria de mostrar pras pessoas que, apesar da gente ser humorista, de viver pra fazer as pessoas mais felizes, a gente também tem traumas, e esses traumas podem ser curados como o meu foi. Eu perdoei o meu pai, eu perdoei tudo que aconteceu na minha vida de ruim pra poder fazer as pessoas mais felizes. Eu ser feliz, primeiramente, pra poder fazer as pessoas mais felizes, porque é impossível você fazer as pessoas mais felizes, fazer as pessoas darem risada se você não é feliz. Eu sou uma pessoa plenamente feliz, por isso que eu estou transmitindo através desse livro, que ganhou Best Seller com 10 dias como o mais vendido no Brasil na categoria de felicidade, na Amazon, justamente por conta disso, porque o livro transmite felicidade.

  1. Ao longo de mais de 3 mil palestras corporativas e show de humor, o que você percebeu sobre o papel do humor dentro das empresas, especialmente em temas como liderança, produtividade e relações interpessoais?

E eu migrei para esse ramo corporativo justamente porque eu sentia que faltava isso nas palestras para empresas e órgãos públicos. As pessoas levavam coisas muito técnicas, mas esqueciam de levar o humor para aprender a atenção das pessoas, enquanto as pessoas precisavam absorver aquelas coisas técnicas e precisavam do humor para poder estar mais atentas à palestra. E isso aconteceu, isso acontece e a gente tem feito aí, batendo recorde, o ano passado, 2025, a gente fez 127 palestras no Brasil todo. Então isso é uma coisa muito bacana, eu sou um cara muito feliz fazendo o que eu faço e eu digo que isso é uma missão de Deus, principalmente porque a gente também tem uma palestra para a liderança, né? Se chama liderar como aproxima o colaborador, aonde a gente mostra que os líderes de hoje não podem ser iguais aos líderes de antigamente, né? Os líderes da minha geração. A gente precisa treinar esses líderes para que eles mostrem para os colaboradores a importância de ser um líder bem-humorado, a importância de ser uma pessoa bem-humorada dentro da empresa. Porque gente feliz não enche o saco de ninguém.

  1. Que reflexão ou mensagem você espera despertar nos leitores com a obra?

 A maior reflexão que eu quero deixar para os meus leitores é que a vida é uma graça, de que a vida tem um tempo determinado e a gente precisa aproveitar esse tempo da melhor forma.

Eu deixo uma poesia do meu cordel, da minha autoria que finaliza o livro: Sonhava eu fazer graça das coisas mais sem graça e sem graça algumas vezes fiquei até que um dia tive a graça do público achar graça da graça que eu encenei, aprendi que por mais que seja a desgraça, nós temos que usar ela pra fazer graça, por isso vejo graça em todo canto, e por mais infeliz que a vida me faça procuro sempre fazer graça para sem graça não terminar em pranto.


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Rossini Macedo transforma dor em reflexão e alcança leitores com obra sobre felicidade e superação