Jolie e mais: relembre famosos que venceram dependência; psiquiatra fala sobre assunto (Foto: Divulgação)

Não é de hoje que notícias sobre vício de famosos em álcool ou drogas estampam páginas de jornais, revistas e páginas de sites na internet. No Brasil, um dos últimos casos foi do humorista Whindersson Nunes.

Whinderssn buscou ajuda ao se internar por duas vezes em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos, após expôr o seu uso excessivo de entorpecentes em determinas fases da vida.

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Mas além do brasileiro, muitos artistas internacionais já tiveram envolvimento pesado com as drogas, lícitas e ilícitas. Muitos deles conseguiram abandonar o vício e levar uma vida ainda lutando, mas sem consumir.

De Robert Downey Jr. a Eminem, passando por Vera Fischer, Elton John e Whindersson Nunes, histórias de recaídas, superação e recomeços mostram que a recuperação é possível — e que buscar ajuda faz toda a diferença. Esses artistas transformaram experiências difíceis em exemplos de força e inspiração para milhões de pessoas ao redor do mundo.

Para aprofundamento no tema, o médico psiquiatra Dr. Rogério Jesus, presidente da Associação Psiquiátrica da Bahia e diretor da clínica Vale Viver (Camaçari – Bahia), destaca que o caminho da recuperação envolve acompanhamento médico, suporte psicológico, compreensão da família e continuidade do tratamento após a alta.

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1 – Como é possível se livrar de uma dependência química?

A dependência química é uma doença crônica, progressiva e potencialmente fatal se não for tratada. O tratamento envolve suporte médico, psicológico e, principalmente, a motivação do indivíduo para mudar aquela realidade. Tentar enfrentar sozinho torna tudo mais difícil, por isso o acompanhamento de um especialista é essencial.

Consideramos um bom resultado quando a pessoa consegue entrar em abstinência e se manter longe da substância. Quanto mais tempo ela permanece abstinente, mais fácil se torna manter a sobriedade, pois os sintomas de fissura — o mal-estar causado pela falta da droga — vão se tornando mais leves.

Estratégias como acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia e participação em grupos de apoio aumentam significativamente as chances de recuperação.

2 – Qual é o impacto do entorno emocional e familiar na manutenção da sobriedade?

A dependência química não afeta apenas o indivíduo, mas toda a família e o seu círculo emocional. Muitas vezes, os familiares tentam ajudar, mas acabam adoecendo junto e se tornando codependentes — pessoas que, mesmo com boas intenções, favorecem sem perceber a continuidade do uso da substância.

Por isso, além do tratamento do paciente, é importante que a família também receba orientação e suporte psicológico. Quando a família entende a doença e sabe como agir, ela se torna um fator de proteção, e não um obstáculo, para a manutenção da sobriedade.

3 – Como reconhecer quando a disciplina vira “prisão” na rotina do ex-dependente?

O termo “adicto” vem do latim e significa “aprisionado”. A verdadeira prisão ocorre quando a pessoa está no uso ativo da droga, quando todas as suas escolhas são determinadas pela substância.

No processo de recuperação, mudanças de hábitos — como evitar certos ambientes, pessoas e comportamentos — não devem ser vistas como restrição, mas como libertação. Libertação para uma vida consciente, organizada e com novas possibilidades. A disciplina não é uma prisão; é uma estrutura que protege contra recaídas e permite reconstruir a autonomia.

4 – Por que algumas pessoas substituem um vício por outro?

Isso acontece devido ao fenômeno chamado migração das compulsões. O cérebro busca constantemente formas de obter recompensa e liberar dopamina. Quando a pessoa interrompe o uso de uma substância, sem reorganizar sua forma de pensar, sentir e se comportar, ela pode desviar essa necessidade para outra compulsão: como comida, álcool, compras, jogos, sexo ou até atividade física excessiva.

Por isso, o tratamento não pode se limitar apenas a “parar de usar”. É indispensável acompanhamento psiquiátrico e psicológico para reorganizar os padrões emocionais e evitar que um vício seja substituído por outro.


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