(Crédito: Getty Images)

Não é qualquer ser humano que é condecorado como Deus do heavy metal. Mas Rob Halford tem esse poder! Ao lado de Ozzy Osbourne, Dio e Lemmy Kilmister, o cantor inglês vem elevando o rock’ n’ roll à sua forma mais pesada desde 1969, à frente do Judas Priest. E, para a alegria dos metaleiros brasucas, o grupo, que é um dos precursores do N.W.O.B.H.M (New Wave of British Heavy Metal), voltará ao país em abril para algumas apresentações, sendo duas dentro do festival Monsters of Rock 2015, na Arena Anhembi, em São Paulo. Como convidada especial do evento, a banda tocará nos dias 25 e 26. Vai ser paulada dupla!

Direto da terra da Rainha, Rob, um senhor de 63 anos e de fala calma (bem diferente daquele canto agudo e potente que estilhaça vidro quando está nos palcos), trocou uma ideia com o Virgula Música, e bem humorado foi logo brincando: “Eu gostaria de poder conversar em português, mas é provável que você não entenderia uma palavra do que eu iria falar (risos)”

Além de contar um pouco dos shows no Brasil, abrir o jogo sobre seu gosto musical e da relação que tem com motos, o vocalista, conhecido por ser o primeiro músico de heavy metal a se assumir gay, não fugiu da raia quando o tom do assunto foi esse. Aliás, ele se mostrou tão seguro de sua orientação sexual que faria qualquer outro metaleiro sair do armário facilmente. Ou seja, Rob é mais macho (no quesito coragem) que muitos por aí, e por isso que é um dos melhores no metal. Ao fim da conversa, foi ele quem agradeceu pela entrevista, mostrando a educação de um lorde inglês. Respeito é pra quem tem, e Rob Halford tem!

Se liga no bate-papo:

(Crédito: divulgação)

Virgula Música: Rob, você já disse algumas vezes que o Brasil é especial para você. Por que? 

Rob Halford: Eu amo o estilo de vida do brasileiro e a paixão que vocês têm pela música. Sempre que estou no país me sinto emotivo por essa paixão que o povo me passa. Também gosto muito da música brasileira e do Carnaval, e especialmente do meu tipo de música, o heavy metal, que é muito forte no Brasil. Também me agrada as gerações de fãs de heavy metal que o país apresenta; desde os mais velhos aos mais jovens, sempre lotando os shows nas cidades. É como se houvesse uma comunidade brasileira de música pesada. Sempre que estou no Brasil sinto algo incrível e inexplicável, e por isso que estou ansioso para os nossos shows.

O Judas Priest vai tocar nas duas noites do Mosters of Rock 2015. Vocês estão preparando shows diferentes?

Bem, vamos fazer um tipo de balanço baseado nos pedidos dos fãs pela internet. Mesmo sendo dois shows na cidade de São Paulo, será bem difícil escolher as músicas do setlist, pois são muitos álbuns na nossa carreira. Mas, posso adiantar que terão músicas do novo álbum, Redeemer of Souls, os clássicos, e talvez algum b-side, mas é quase impossível tocar todas as músicas que os fãs querem. A nossa difícil missão é não desapontar os fãs brasileiros.

Recentemente, Tony Iommi e Geezer Buttler, do Black Sabbath, disseram que não querem mais fazer turnês. E você, já pensou em parar algum dia?

Nós [da banda] já conversamos sobre isso e temos o pensamento parecido, que é continuar fazendo metal até quando conseguirmos. Pensamos que o melhor ainda está por vir e por isso queremos continuar forte com o Judas Priest. Para nós, o melhor momento é quando estamos tocando ao vivo no palco, então, não queremos deixar de ter essa sensação. Porém, sabemos que para isso precisamos manter a banda viva, sempre compondo e gravando novas músicas. Fazemos isso pelos fãs e eles nos dão essa satisfação de volta. É um ciclo que não queremos interromper.

(Crédito: Getty Images)

Você é considerado um dos Deuses do metal (ao lado de Ozzy Osbourne e Dio). Como você se sente quando as pessoas o chamam assim? Você se considera um Deus do metal?

Bom, ser chamado de Deus do metal é uma grande honra e satisfação. É um título pesado de se carregar. Ele foi adquirido com muito trabalho, dedicação ao heavy metal e respeito pelos fãs. Estar nessa posição ao lado de Ozzy, Dio, Lemmy (do Motorhead) e mais alguns outros é uma das maiores conquistas que alguém como eu poderia ter. É uma gratidão imensa.

Recentemente, Roddy Bottum (tecladista do Faith No More), postou no Facebook da banda uma foto ao seu lado, e o feedback foi dos piores, com muitas pessoas homofóbicas xingando vocês. Você ainda enfrenta muito problema com esses tipos de fãs?

Pois é, eu fiquei sabendo desse ocorrido. As pessoas preferem perder tempo falando esse tipo de besteira na internet do que aproveitar suas próprias vidas e produzir algo bom para elas mesmas. Eu e Roddy acreditamos em quem somos e em pessoas como nós. Usamos a nossa música para falar sobre coisas boas. O metal também foi feito para falar sobre felicidade e boas experiências. Ele também é sobre aceitação. Nossa música não projeta o preconceito e a intolerância. Infelizmente existe a oposição e lidamos com isso até hoje. Mas a maioria dos nossos fãs nos entende e nos respeita, e isso é o que mais importa.

(Roddy excluiu o post original e repostou a foto dando uma bronca nos fãs homofóbicos. Mesmo assim alguns comentários grosseiros e preconceituosos voltaram a aparecer)

(Crédito: reprodução/Facebook)

Você assumiu ser gay em 1998. Você acha que se assumisse hoje seria mais fácil?

Não. Seria igual. Mesmo com as mudanças que o mundo tem, parece que as pessoas não aprendem a respeitar e aceitar as diferenças. É tudo simples, é uma questão sobre aceitação. As pessoas são iguais e devem ser tratadas como iguais, independente da orientação sexual; seja no trabalho, na escola ou entre amigos. Hoje, ainda existe uma luta contínua que enfrentamos, de tentar abrir a mente das pessoas. Todas essas coisas negativas que ouvimos nos tornam mais fortes e resistentes. Sou feliz como sou, e também por ter inspirado muitas pessoas a se assumirem.

Uma de suas marcas registradas no Judas Priest sempre foi entrar no palco em cima de uma moto. A sua relação com o veículo vai além do artístico?

Eu gosto de motos, mas o meu envolvimento com o veículo é mais artístico. A moto tem uma enorme relação com o heavy metal, pois ambos representam atitude. A moto é forte, poderosa, agressiva, rápida e faz um barulho muito alto. Ela também representa a liberdade, e nos conecta com a música. Ela é tudo o que o heavy metal é.

E você possui alguma moto em casa?

Eu tenho apenas uma. É a mesma que uso nos palcos.

(Crédito: reprodução)

Muitas pessoas no Brasil gostam do Fight, sua outra banda alternativa que fez sucesso nos anos noventa. Este ano, o álbum War of Words completa 17 anos. Você não tem vontade de reativar a banda? Nem que seja para fazer uma turnê comemorativa.

Eu penso que é possível, sim. Talvez em algum momento, mas não agora! Eu sou totalmente devoto ao Judas Priest, tenho uma agenda que me ocupa muito tempo e me sinto realizado fazendo heavy metal. Mas lembrando agora, eu tive bons tempos com o Fight. Então, não descarto essa ideia, mas também não sei quando poderei colocá-la em prática. Seria ótimo poder fazer mais alguns shows, mesmo que poucos, e voltar ao Brasil com o Fight. Quem sabe um dia…

(Crédito: divulgação)

Quando você está em casa, o que costuma ouvir? Metal?

Bom, eu sou muito cabeça aberta e ouço diferentes estilos de música em casa, e todos os gêneros me ajudam a ter uma direção no que faço no Judas. Agora, por exemplo, tenho ouvido muito Royal Blood. Você conhece? Eu também amo ouvir música instrumental e música clássica, como Tchaikovsky, e o maior de todos: Luciano Pavarotti. Também gosto muito de cantoras como Janis Joplin e Joss Stone, e sou ligado em algumas coisas de eletrônico. O último disco do Daft Punk, por exemplo, é muito bom. Mas fica esquisito um Deus do metal de mais de 60 anos falando isso, não? (muitos risos). De metal, as bandas atuais de stoner rock do Texas são muito poderosas e têm me agradado muito.

Para finalizar, você quer enviar alguma mensagem aos fãs que vão assisti-lo no Monster of Rock?

Bem, eu queria agradecer aos nossos fãs por apoiar o Judas Priest. Nós, da banda, nos sentimos conectados com o público brasileiro e estamos empolgados em voltar para tocar para vocês. Esperamos agradar os fãs antigos e conquistar os novos que nunca viram o Judas em ação. Obrigado!

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Confira abaixo quais bandas mais fazem parte do lineup do festival:

As atrações do Monsters of Rock 2015

Os mascarados mais famosos do rock tocam dia 26
Créditos: Divulgação

 

 

 


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"Heavy metal também é sobre aceitação", diz Rob Halford, que vem com o Judas Priest ao Brasil

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